IA, IA minha...
... existe alguém que dá mais contexto do que eu?
Já posso dizer com certeza: a gente passa mais tempo dando contexto pra IA do que pros nossos colegas de trabalho.
Pensa nisso uns segundos. Porque é absurdo, né? Eu sento na frente do Claude, dos meus agentes do Openclaw, do que for, e dedico 20 minutos pra explicar: o que tô tentando fazer, qual é o histórico, qual é o objetivo, quais são as restrições, qual é a saída esperada. Reviso o prompt. Adiciono mais detalhe. Releio. Mando.
Aí eu fecho a aba, viro pro meu colega, e digo ‘preciso disso pra ontem’ sem mais contexto. E acho normal. Kkk só rindo né, galera? Como eu disse, os deuses da CLT que nos acudam, porque o bicho tá pegando!
Tem alguma coisa errada nisso? Vou tentar nomear o que.
O que eu aprendi automatizando coisas com IA
Nos últimos 3 meses, criei 7 funcionários-agentes-IA pelo Openclaw e automatizei 85% da minha rotina de fechamento como CFO da Noh com o Claude. Isso são só macro exemplos de como estamos reinventando nossa forma de trabalhar aqui na Noh. Diminuiu no mínimo uns 50% do meu esforço em tarefas repetitivas, como fechamento mensal, conciliação, várias outras coisas. Ah, e outra coisa, construí, com a Babs, todo o programa de pontos do cartão de crédito da Noh em 3 horas usando Claude + Openclaw (aliás temos um vídeo gravado disso, se alguém se interessar comenta aqui). Antes de IA, esse trabalho levaria duas semanas. E o resultado tá 110% melhor do que se a gente tivesse feito sozinha.
Construí, com a Hellyn, uma plataforma própria de gestão de conteúdo e narrativas de marketing, o CrIA. A gente odiava todas as plataformas de mercado (Notion, Trello, todas). Fizemos a nossa. A primeira campanha 100% feita dentro dela foi ao ar em fevereiro.
Quando eu posto isso no LinkedIn, recebo enxurrada de DM. ‘Conta como você fez.’ ‘Libera a skill.’ ‘Que curso você assistiu.’ 400 comentários. 150 emails se inscrevendo num zoom sobre o tema. E, mais recentemente, abri um grupo no whats pra falarmos só disso! (acho que vou encerrar as inscrições, mas se vc tá lendo esse post e quiser entrar, comenta, qm sabe eu ainda aceito gente lá). Pra você ter ideia: depois de 5 anos vendendo a Noh com trabalho de formiguinha, eu nunca consegui essa quantidade de engajamento. IA virou ímã.
E aí vem a ironia: o que eu descobri não é uma técnica de IA.
O que eu descobri foi…
Eu não fiz curso. Não tem segredo. Não tem prompt mágico. O que eu fiz foi exatamente o que eu já fazia: pedi, dei contexto, e fui batendo papo.
Vim de educação construtivista. (Já contei isso no linkedin, mas dps falarei mais disso nesse meu novo substack.) E na minha cabeça, a única forma de aprender alguma coisa é sair fazendo. Errar pequeno, ajustar, errar de novo, ajustar. Repetir até o resultado. Marretar mesmo, sabem?
Foi exatamente assim que cheguei na automação do fechamento de mês. Pedi pro Claude fazer mil coisas. Ele fez. Pedi pra ele tirar as dúvidas que ele tinha. Ele tirou. Pedi pra ele fazer um teste. Eu fui conferindo. Como se fosse uma pessoa.
Repito: como se fosse uma pessoa.
Esse é o ponto inteiro. A habilidade que faz IA funcionar não é técnica de IA, é a habilidade que sempre foi necessária pra fazer qualquer coisa funcionar com outro ser humano: dar contexto.
E aí começa o surto coletivo.
Por que a gente faz com a IA o que não faz com um coleguinha de trabalho?
Eu reflito sobre isso com frequência ultimamente.
Eu invisto 1298 horas montando uma skill bem contextualizada pro Claude. Conto a história da empresa, das prioridades, dos clientes, do tom da marca. Atualizo. Refino. Ajeito. Adiciono exemplo. Mostro uma caralhada de telas… Abro pra perguntas…. Documento o "jeito Noh” de fazer em arquivos de context.md.
Aí, na reunião de segunda, eu chego pro meu time e falo ‘vamos lançar a feature X’. Sem contexto. Sem o porquê. Sem o histórico. Sem o objetivo macro. Espero que eles ‘saquem’. (To exagerando aqui, pq eu sempre priorizei muito dar contexto, mas pra vcs entenderem um pouco da logica).
Por que a IA merece contexto e o meu colega não?
A resposta que to validando é: porque a gente se acostumou. A gente vive há décadas cercada de ruído de comunicação humana. A gente normalizou a falta de contexto entre pessoas. A gente assume que o outro ‘sabe’, ‘entende’, ‘vai pegar a manha’.
Mas não vai. Se a IA não sabe do que você tá falando, ela alucina. Se o seu colega não sabe, ele… também! ;) E aí faz a coisa errada, só que demora mais pra você descobrir e o estrago é maior.
A IA é o espelho que estamos olhando. Espelho, espelho meu? IA, IA minha? E o que esse espelho mostra é o seguinte: a gente sempre foi ruim em dar contexto. Só que agora, com a IA, o problema fica imediato e visível. Com pessoas, ele fica enterrado em camadas e camadas de ‘achei que você sabia’ e ‘vou ver e te aviso'.
A galera que quer atalho
Antes de ir pro fecho, quero falar de uma coisa que tá me incomodando.
Quando eu posto algo sobre IA, recebo perguntas como: ‘qual curso você fez?’, ‘libera a skill’, ‘manda o prompt’, ou ‘me dá um passo a passo?'. E o que eu enxergo nessas perguntas é o oposto do que eu defendo aqui. É a pessoa querendo pular o trabalho de dar contexto. É a pessoa querendo um atalho pra resultado sem fazer o trabalho de pensar sobre seu próprio caso.
Não tem curso. Não tem skill mágica. Não tem prompt secreto.
(Óbvio que eu sei que tem, tá, tô apenas sendo dramática)
O que tem é: você senta na frente do Claude (ou do que for), pede uma tarefa pequena, vê o que sai, ajusta, pede de novo, ajusta de novo. Em três dias você tá mais avançado que 90% das pessoas que ficaram esperando o curso ‘perfeito’ sair. É a diferença entre quem faz vs. quem espera.
E uma coisa que eu acho mágica do momento atual: pela primeira vez na história, a gente tá toda no mesmo nível. Base zero. Ninguém domina IA mais do que ninguém. O Claude se auto-responde, se auto-ensina. Você só precisa começar.
A barreira não é mais técnica, gente! É a paciência de dar contexto, fazer pequeno, errar, e ajustar.
Contexto é respeito
Se eu pudesse deixar uma frase resumindo tudo o que tô falando, seria essa:
Contexto é a coisa mais respeitosa que você pode dar pra alguém. Pra IA. Pro seu time. Pro seu cliente. Pra você mesma. Pro seu marido.
Quando você dá contexto, você tá dizendo: ‘eu valorizo o seu tempo o suficiente pra investir o meu primeiro’. Você tá dizendo: ‘eu não quero que você adivinhe, quero que você acerte’, ou, do inglês, ‘I'm putting you up for success’. Você tá evitando alucinação (na IA) e ruído (com pessoa).
E o oposto disso, ou seja, não dar contexto, esperar que o outro saque, deixar o histórico implícito, mandar a tarefa sem o porquê isso é desrespeito. Não importa se é com IA ou com gente.
A IA agora está nos forçando a praticar essa habilidade que sempre foi necessária e que a gente fingia não precisar. A pergunta que tô levando comigo é: já que a gente tá tão bom em contextualizar pro Claude, por que a gente não faz isso com mais frequência com os humanos?
Tenta. Próxima reunião, antes de pedir alguma coisa, dá contexto. Conta o histórico, o objetivo, o porquê. Vai ver o quanto a entrega muda.
É o mínimo, né? Sextou e bom feriado
AZ

Eu uso o OpenClaw para as minha tarefas do dia a dia e ainda estou automatizando algumas coisas. Depois que a Anthropic passou a “cobrar” tokens de terceiros eu fiquei triste mas ainda sim uso o OpenClaw e tenho interesse em entrar no grupo, caso ainda tenha espaço 😬
Obrigado por compartilhar Ana!
Queria muito entrar no grupo